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Verdades e realidades médicas – por Luis Felipe S.Ribeiro Filho junho 13, 2011

Filed under: Crônicas — lahad @ 1:06 pm
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Nos últimos 20 anos a classe médica vem perdendo paulatinamente a sua condição de trabalho, deixando o médico de ser um profissional liberal e, transformado continuamente por Governos estatizantes, em um trabalhador mal remunerado da saúde. O profissional médico de um passado não muito distante dispunha de um “status” que hoje já não existe.

As gerações médicas passadas gozavam de prestígio junto à sociedade e eles não dispunham de um grande arsenal terapêutico, nem de uma sofisticada tecnologia laboratorial ou de condições cirúrgicas e anestésicas que hoje possuímos. Em compensação mantinham e cultivavam uma relação médico-paciente que praticamente inexiste nos dias atuais, e, que os tornava um dos esteios da sociedade brasileira.

Vários fatores vieram somar, provocando a mudança dessa realidade e ameaçando gravemente a credibilidade do médico junto à sociedade. Em primeiro lugar a profusão de escolas médicas em Municípios, que na realidade não possuem condições de se quer em ter uma escola secundária.

O atendimento massificado criado pelo Ministério da Saúde nivelou o profissional médico por baixo, criando condições de conflito permanente entre médicos e pacientes, quando na verdade, ambos são vítimas de um sistema mal planejado em um País que se declara emergente, mas, continua com características e incertezas de um País pobre do terceiro mundo. 

A miserabilidade nas periferias das grandes cidades, aonde populações recém chegadas do meio rural, sem nenhuma condição de vida nas cidades, apresentam entre outras coisas uma precária saúde.

Em um País que não tem condições de saneamento, tem como opção fazer uma medicina curativa de baixíssima qualidade. No Sistema Único de Saúde, a palavra humanização serve para encobrir as más condições de atendimento que o Estado Brasileiro oferece a sua população. A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, principio constitucional, que não consegue ser atingindo. Principalmente isto ocorre pela má gestão, falta de recursos financeiros, corrupção, ideologia que o muro de Berlin pôs por terra, burocracia, e, assim a todo o momento o cidadão busca a Justiça na tentativa de ter garantido um atendimento médico e hospitalar. A Justiça vem produzindo bizarras intervenções que ao invés de ajudar, acaba produzindo muitas vezes um grande imbróglio para o paciente, médico e hospital, deixando o principal responsável que é o Estado sem grandes responsabilidades em resolver a situação.

A real necessidade é uma medicina preventiva realística, que não pode ser onírica e prosaica. 

 

Quando o cidadão passa a conhecer melhor seus direitos e deveres, e o paternalismo ou o coronelismo cedem para dar lugar a uma estrutura de sociedade ética e crítica, o homem passa a ser o objetivo mais importante de uma Nação. Afirmo com toda certeza que a ANVISA não é um fator de avanço para a medicina brasileira e sim exerce papel semelhante ao Talibã. A Anvisa se autoconsagrou o grande tutor do cidadão brasileiro, aquele que sabe tudo e a quem devemos obediência cega e segundo o Filósofo Denis Lerrer Rosenfield a intromissão deste órgão na vida dos brasileiros é coisa de esquizofrênicos, predomina ali um ranço ideológico ultrapassado. Existem outros órgãos na vida pública brasileira com atuação semelhante. Outra praga disseminada e que atinge a dignidade de pacientes, médicos e hospitais são os famigerados e indignos planos de saúde, causando dificuldades de toda ordem aos que neles estão inseridos. Contém características mercenárias. Mais atrapalham do que ajudam. Em Cuiabá nos últimos 10 anos a Secretaria Municipal de Saúde errou muito mais do que acertou, causando deformidades insanáveis ao Sistema Único de Saúde em nossa cidade.

À medida que a tecnologia foi sendo absolvida pela ciência hipocrática, e isto ocorre no Brasil desde o final da segunda guerra mundial, o médico passou a desprezar a arte semiológica tão bem desenvolvida no mundo ocidental pela Escola Médica Francesa.

Desta forma o médico passou a refletir menos em seus pacientes, dando mais importância à técnica laboratorial, radiológica, etc. Isso pode parecer pouco importante dentro da medicina brasileira, mas sem duvida alguma foi sentida em toda nossa sociedade.

As gerações médicas atuais devem ter o “Know-how” da escola médica americana, a perspicácia da Escola Médica Francesa e a solidariedade de um Oswaldo Cruz e Carlos Chagas e bom senso.

Eis aí o perfil do médico ideal tão almejado pela sociedade brasileira. 

 

*LUIS FELIPE SABÓIA RIBEIRO FILHO é Provedor da Santa Casa de Cuiabá

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