liga acadêmica de diabetes e hipertensão

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Depoimento fevereiro 19, 2010

Filed under: Depoimento de um paciente — lahad @ 2:21 am

Dra. Zulmira de Fátima, a Sra. não me conhece. Sou uma entre milhares de   pacientes que anualmente fazem seus exames rotineiros na busca incessante pela saúde e bem-estar. No dia 29 de maio do corrente ano, realizei alguns exames de rotina para saber o que estava acontecendo comigo. Não me sentia bem, havia acabado de completar um check-up anual para o meu médico ginecologista, Dr. Jair de Oliveira, e pedi a ele que solicitasse mais exames pois os que eu havia concluído estavam normais e ainda assim não me sentia bem.

Naquele mesmo período, estava com um resfriado em virtude de mudança de tempo.

Estava com laringite, quase sem voz, e o mais intrigante, sentia-me prostrada, sem forças, desanimada. Daí o pedido de exames complementares. Pois bem, fiz os exames pela manhã, no Laboratório Lavoisier, no bairro do Tatuapé, pertinho aqui de casa, já que moro no bairro do Belenzinho. Qual não foi minha surpresa, quando pouco antes das seis horas da tarde do dia 29 de maio recebo um telefonema do laboratório, era a senhora.

Fiquei assustada, pensei que era trote, mas a senhora imediatamente identificou-se dizendo o seu nome, confirmou os meus dados, certificando-se inclusive de que era eu mesma que havia realizado os exames pela manhã. Primeiro, me deu uma bronca, perguntando indignada: A senhora não controla seu diabetes não?

Quase cai sentada, mas retruquei dizendo: Acho que deve ser engano porque eu não tenho nenhuma diabetes! Mas foi mais firme ainda dizendo: Escute, acabo de analisar os resultados dos seus exames, e a senhora deve ir imediatamente a um pronto-socorro mais próximo tomar insulina, porque a sua glicemia está altíssima, pode ter um problema mais sério de saúde! Não tive mais dúvida.

Caí na realidade! Pedi a uma amiga que me levasse a um pronto-socorro mais próximo, e qual não foi minha surpresa e desespero ao constatar que minha glicemia já estava em quase 600 mg. Tomei insulina duas vezes, mais um remédio, glibenclamida, e fiquei no pronto – socorro por mais quatro horas, em observação, esperando que a glicemia baixasse.  Após ter alta, ouvi todas as recomendações do médico, não só confirmando a preocupação com a glicemia elevada, ele prescreveu-me uma dieta rigorosa e aconselhou-me a buscar um tratamento com um clínico geral ou endocrinologista. Saí do pronto-socorro aliviada, porque recebi todas as orientações possíveis, e o mais estranho é que me sentia melhor.

Lembro que quando lá cheguei, não tinha muitas forças, estava cansada e abatida. Após a medicação, como num passe de mágica, já me sentia com mais coragem, e os meus passos eram mais firmes e menos vacilantes. Dias depois, voltei ao meu médico ginecologista que ficou muito assustado, e recomendou-me consultar um endocrinologista e seguir rigorosamente todas as recomendações. Disse-me quase que as mesmas coisas que o médico do pronto-socorro havia dito, e confirmou que eu tinha passado por um grande perigo. Pediu que eu consultasse também um oftalmologista.

Aliás, foi por um triz que não fiquei cega. Já que um exame de fundo de olho mais detalhado revelou que minhas pupilas estavam dilatadas. Por sorte não houve uma hemorragia ocular. Se antes eu usava óculos com baixo grau 0, 75 passei a usar lentes de quase cinco graus. Todavia, a oftalmologista tranqüilizou-me dizendo que a minha visão voltaria ao normal tão logo a minha glicemia estivesse sob controle. O que de fato aconteceu, dois meses depois da primeira consulta à oftalmologista. Evidentemente, passei a ler sobre Diabetes Mellitus, e compreendi o grande risco que estava correndo.

Iniciei a dieta imediatamente, e desde então, eliminei quase 20 quilos, e segundo a minha nutricionista e médico clínico geral preciso eliminar mais vinte quilos. Sinto-me bem melhor, esperançosa, e continuo a tomar a medicação, além de glibenclamida, Metformina. Faço dieta, mas não exageradamente como estava fazendo no início do tratamento, já que a nutricionista proibiu exageros, tanto para mais, quanto para menos. Desde esse episódio, penso na senhora constantemente.

Precisava dizer muito obrigada por ter-me salvo a vida! Antes de ir ao pronto-socorro, naquele fatídico 29 de maio, no meu íntimo, eu sabia que eu não ia durar muito, em virtude do estado em que me encontrava sem saber que estava diabética. Mas, naquele dia, a senhora tornou-se, sem saber, o meu anjo da guarda. Por um simples gesto de responsabilidade médica, da sua parte, é que aqui estou para escrever-lhe e agradecer-lhe. Procurei referências até achar o seu endereço.

Não sabia o que enviar-lhe: um buquê de flores, um livro, ou o quê? Resolvi por uma simples bijuteria que a teria por algum tempo. E sempre que olhasse para ela, iria lembrar que eu estaria agradecendo-lhe, em meu nome, mas também, em nome de muitas outras pessoas que muito provavelmente, tem ajudado, mas que por alguma razão não escreveram para falar-lhe pessoalmente. Sempre que me lembro dessa história, fico comovida, chego às lágrimas. Mas, se há alguma coisa que me compete hoje é agradecer a todas as pessoas que um dia me ajudaram de uma forma ou outra.

Vivemos em um país cujos valores de moral, humanidade e solidariedade parecem que está indo pelo ralo. Ouvimos falar do desperdício público em todas as partes, corrupção, violência, mortes causadas por roubos, seqüestros, etc. Dificilmente, ouvimos uma notícia de alguém que simplesmente diga obrigado, obrigada! Por um favor recebido.

Não que esses gestos não aconteçam, mas é difícil reconhecer os nossos anjos da guarda. Então, Dra Zulmira, meu anjo da guarda, muito obrigada por aquele simples telefonema que salvou a minha vida.

O nosso país precisa tanto de pessoas como a senhora!

Fonte: http://www.diabetes.org.br/conte-sua-historia

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