liga acadêmica de diabetes e hipertensão

Just another WordPress.com weblog

O doce amargo do açúcar – Mara Narciso novembro 29, 2009

Filed under: O doce amargo do açúcar - Mara Narciso — lahad @ 8:48 pm

A menininha tem cinco anos, é fofinha, com pele clara, cabelos cor de mel, finos e encaracolados. É aquela criança que convencionamos chamar de gracinha, de tão delicada que é. A mãe deixa a menina na escola e vai para o trabalho, mas no final do dia pega a filha e podem ficar juntas um pouquinho.

Notou que a menina estava urinando muito e a toda hora. Olhava intrigada quando mais uma vez, e outra e mais outra, em um pequeno intervalo a criança pede para fazer xixi. Concomitantemente veio a sede intensa. Na hora de dormir pediu mais um copo de água. E de manhã a cama estava molhada. Então foi um susto, já que desde os dois anos a menina não mais urinava na cama.

A mãe não hesitou e a levou imediatamente ao laboratório para fazer um exame de sangue. Houve a confirmação do diabetes. A glicose estava muito elevada, mas não foi preciso internar. A endocrinologista mandou iniciar com as injeções de insulina imediatamente, antes que a alta do açúcar no sangue ameaçasse a vida da menina, que também tinha emagrecido.

Então começaram as instruções para bem cuidar daquela taxa de açúcar que sobe e desce ao sabor dos ventos. Foi indicada uma visita à nutricionista que prescreveu uma dieta. Sugeriu várias restrições, e também fixou os horários e as quantidades dos alimentos. É preciso obedecer com rigor para tentar evitar grandes flutuações da glicose.

Quando a criança acorda, a mãe faz o exame de ponta de dedo – a glicemia capilar-, para verificar a taxa de açúcar, e então calcula qual dose de insulina deverá ser administrada. Após a insulina, a menina alimenta-se dentro daquilo que foi pré-determinado, e só então pode brincar. A escola é na parte da tarde.

A mãe sabe que não pode atrasar nenhuma refeição, e nem fazer exercício com o estômago vazio. Antes disso é preciso comer. É necessário um equilíbrio entre a comida e a insulina. É como se a glicose estivesse numa gangorra, ora subindo, ora descendo conforme a ação da insulina, do alimento e do exercício.

A alimentação, a emoção, as doenças, especialmente a febre, são determinantes para fazer a glicose subir. Ao contrário, a diarréia e vômito, assim com exercício, e atraso nas refeições são fatores de abaixar a glicemia. Isso como regra geral, pois até os mais experientes cuidadores da glicemia surpreendem-se quando fazem tudo exatamente igual em dois momentos e o resultado vem muito diferente.

O maior medo é da hipoglicemia. Ela é o terror das mães de crianças pequenas com diabetes. É que a glicose normal é muito próxima da glicose baixa. Um pequeno deslize pode ser suficiente para que ocorra um desequilíbrio com uma baixa exagerada onde a criança poderá manifestar uma ameaça de desmaio e até mesmo um desmaio real, com convulsões. Para evitar isso, as mães fazem exames de glicemia de madrugada para assim quantificar a ação da insulina na hora em que o estômago está vazio, e os riscos são maiores. Os resultados baixos são tratados com alimento.

Na escola, a professora sabe fazer o exame de ponta de dedo, e ele é feito antes do lanche, ocasião em que a insulina é calculada e dada conforme a necessidade. Após alimentar, a criança vai brincar com as outras. No começo desse controle, a mãe olhava a filha mortificada, sentindo nos próprios dedos a dor das constantes picadas. Sabe que elas são imprescindíveis para evitar grandes mudanças, e as temíveis complicações, sejam as agudas que são os desmaios, sejam as crônicas que são as lesões da retina, dos rins, dos nervos e da circulação que ocorrem quando  o tratamento é inadequado.

As consultas médicas devem ser frequentes, em vista da necessidade de mudanças nas dosagens da insulina e ainda nas trocas das marcas, pois o tratamento não para de evoluir e novas insulina, mais fisiológicas são produzidas a cada dia. A mãe sabe que há as insulinas lentas que cobrem a situação no jejum e as insulinas ultra-rápidas que cobrem a glicemia na alimentação. Daí a necessidade de calcular as doses a cada refeição.

São tantas as variações da glicemia que a mãe diz com ar estafado: “a glicemia da minha filha oscila muito. Parece ser impossível conseguir uma redução nos picos e vales, de tanto que varia”. Mas ela já entendeu que isso não é uma particularidade apenas da sua criança, pois já pesquisou e se consultou com mais de um especialista, deduzindo que essa gangorra longe está de ser uma especificidade da sua menina.

Enquanto a mãe fala dos seus anseios, a filha olha pela janela, e se volta com um lindo sorriso dizendo que vai passear no shopping após a consulta. Está alheia e feliz, e não parece se preocupar com a nova realidade. A mãe sofre mais do que a criança. A menina já se habituou às picadas nos dedos, que já estão feitos peneiras de tão furadinhos, assim como com as injeções aplicadas com as práticas canetas e as difíceis restrições alimentares. A mãe, a cada perfuração em busca do sangue, sente doer dentro da alma. E ainda se tortura pensando em que está errando por não conseguir controlar o diabetes tão bem quanto lhe foi solicitado.

Passando pela porta, em busca da saída, a menininha despede-se sorrindo, com a sua graciosidade infantil: “tchau”! E acena com a mão direita cor-de-rosa, cheia de buraquinhos, naquela distância, invisíveis, como é invisível a ação protetora e angelical da sua jovem mãe.

*Mara Narciso é médica, acadêmica do sétimo período de Jornalismo e autora do livro “Segurando a Hiperatividade”

 

Hipoglicemia e Diabetes

Filed under: hipoglicemia — lahad @ 8:37 pm

 

 

 

 

Pessoas com diabetes em tratamento com insulina ou com medicamentos orais estão sujeitas a crises hipoglicêmicas. A revisora de textos Rosana Visconti tem diabetes tipo 2 e já passou por essa situação algumas vezes.  Recentemente levou um susto ao se sentir mal e medir a glicemia: “Em uma madrugada, acordei suando muito, sentindo um mal-estar estranho. Sentei-me na cama, e quase não conseguia me levantar para pegar o glicosímetro. Depois de muito esforço, consegui ver em quanto estava a minha glicemia: 14 mg/dl”, conta Rosana.

A Dra. Denise Reis Franco, endocrinologista, explica que a hipoglicemia ocorre quando o açúcar no sangue está abaixo da faixa considerada normal (60mg/dl).  “Isso acontece quando há um desequilíbrio entre a quantidade de açúcar e a quantidade de insulina no nosso corpo”, explica a especialista.

Identificando Sintomas

A Dra. Denise Franco diz que os sintomas podem variar bastante de um paciente para outro. Pessoas com diabetes podem apresentar hipoglicemias leves e moderadas com alguma freqüência e, se não tratadas a tempo, podem evoluir para um quadro mais grave de coma hipoglicêmico.
Os sintomas de hipoglicemia são:

  • Confusão mental, comportamento anormal, irritabilidade, agressividade ou também lentidão;
  • Incapacidade para realizar coisas comuns, como somar 2 + 2;
  • Distúrbios visuais, como visão dupla ou turva;
  • Tontura;
  • Palpitação;
  • Tremores;
  • Suor excessivo;
  • Fome;
  • Sonolência.

A endocrinologista alerta que alguns dos sintomas de hipoglicemia mais leve podem ser vistos em outras situações de estresse. “Por isso, é importante verificar a glicemia durante o aparecimento de alguns desses sintomas para realizar o tratamento adequado”, sugere a médica.

Quando a pessoa com diabetes tem uma hipoglicemia mais severa, pode até mesmo ter perda de consciência. Ou seja, acontece o coma hipoglicêmico, uma situação que deve ser evitada. “Na hipoglicemia severa o valor da glicemia está abaixo de 36mg/dl, ou o paciente não perdeu a consciência, mas precisa de ajuda para se recuperar”, ensina a endocrinologista.

Como Tratar a Crise

A Dra. Denise explica que há diferença no tratamento da hipoglicemia, dependendo do estado do paciente:

Paciente acordado, consciente: Repor carboidratos com 5 a 6 balas, ou 150 ml de suco de laranja, ou 1 copo de refrigerante não dietético, ou 2 colheres de açúcar. Procure não fornecer alimentos como chocolate e bolos com cobertura, que demoram mais para elevar a glicemia. Após 10 minutos da ingestão dos alimentos, verificar a taxa da glicemia. Se ela continuar baixa, repetir o procedimento.

Paciente desacordado, inconsciente: Não se pode fornecer alimentos. Aplique glucagon via subcutânea, conforme orientação dada por seu médico ou enfermeiro. Este hormônio tem ação oposta à insulina, ou seja, eleva a glicemia. Geralmente usa-se uma ampola para adultos, e meia ampola para crianças. Levar a pessoa com diabetes ao pronto-socorro, para aplicação de glicose endovenosa. Caso não consiga transportar o paciente, chamar um pronto-atendimento.

Conseqüências da Hipoglicemia

Segundo a Dra. Denise, um dos problemas mais comuns, depois de uma crise hipoglicêmica, é a hiperglicemia causada pelo excesso de carboidratos.  Ela ressalta que, na maioria das vezes, a pessoa se recupera do evento sem seqüelas. “O problema maior ocorre com hipoglicemias mais graves, com perda de consciência, que podem até levar à morte, embora isso seja bastante raro. Um episódio de hipoglicemia severa prolongado pode favorecer lentidão de pensamento e perda de memória momentânea que, em geral, é recuperada”, explica.

Evitando Crises

A endocrinologista Denise Reis Franco dá algumas recomendações para se evitar crises de hipoglicemia:

  • Tenha o hábito de monitorar a glicemia, pois o ajuste da dose de insulina e a correção adequada podem evitar episódios de hipoglicemias severas.
  • Procure informar às pessoas que convivem com você como reconhecer os sintomas de hipoglicemia e como corrigi-la.
  • Se praticar atividades físicas, acostume-se a monitorar a glicemia mais freqüentemente. Lembre-se de que o exercício pode facilitar o aparecimento das hipoglicemias até várias horas após o término. Se praticar atividades físicas por várias horas, procure se alimentar e verificar a glicemia antes, durante e após o exercício.
  • Tenha sempre com você uma fonte rápida de carboidrato, como balas ou suplementação de glicose (sachês de mel ou glicose).
  • Cuidado com a ingestão de álcool sem se alimentar, pois isso pode baixar a glicemia. Se você não está com o glicosímetro e tem sintomas, trate como se fosse uma hipoglicemia.
  • Se os episódios de hipoglicemia forem freqüentes, converse com seu médico para ajustar a dose da medicação para o diabetes.
 

Manual Oficial de Contagem de Carboidratos

Filed under: Manual Oficial de Contagem de Carboidratos — lahad @ 8:27 pm

Clique para baixar o
manual
Contagem de carboidratosManual Oficial de Contagem de Carboidratos

Este manual da Sociedade Brasileira de Diabetes está dirigido à equipe multiprofissional responsável pela assistência ao paciente portador de diabetes com o objetivo de obter um melhor controle glicêmico e usufruir de maior flexibilidade alimentar.

A contagem de carboidratos é utilizada desde 1935 na Europa e foi uma das estratégias utilizadas no Diabetes Control and Complications Trial (DCCT). A partir do relatório da American Diabetes Association, em 1994, passou a ser recomendada como mais uma ferramenta nutricional. No Brasil começou a ser utilizada de forma isolada em 1997, e, hoje, vários grupos têm utilizado a contagem de carboidratos deforma sistemática, culminando com   a  proposta deste material.

A contagem de carboidratos pode ser utilizada por portadores de diabetes tipo 1 em terapia insulínica convencional, ou terapia intensiva com múltiplas doses, ou com bomba de infusão, e por diabéticos tipo 2 em uso de medicamentos orais ou apenas em tratamento dietético. Tem como objetivo otimizar o controle glicêmico em função das menores variações das glicemias pós-prandiais.

Os tópicos irão fornecer as noções básicas sobre os alimentos e a sua relação com os níveis de glicemia no sangue. O propósito é disponibilizar o material de base ao profissional de saúde para que, diante de suas necessidades e experiências, seja adaptado à sua prática diária,constando de uma lista prática de composição química dos alimentos para uma consulta fácil.

É importante que a equipe multiprofissional identifique que uma única dieta não se adapta a todos. Necessita-se de um método adequado a cada paciente, levando em consideração seu estilo de vida, seus hábitos alimentares e socioculturais, bem como suas atividades físicas e terapias medicamentosas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

 

VÍDEO AULA: Hipertensão Sistólica Isolada novembro 19, 2009

Filed under: Hipertensão arterial isolada (video aula) — lahad @ 9:18 pm

Clique na imagem