liga acadêmica de diabetes e hipertensão

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Depressão e Diabetes janeiro 3, 2009

Filed under: Depressão e Diabetes — lahad @ 6:04 am

depressao2A depressão está ligada ao risco de vida em idosos diabéticos. Foi o que mostrou um estudo desenvolvido pela Universidade de Washington, Estados Unidos. Não se sabe por que a depressão causa esse efeito em pacientes com doenças crônicas como a diabetes, pode ser pela associação com o cuidado inadequado com a saúde ou com hábitos nocivos, como fumar ou comer demais. O que os pesquisadores têm certeza é que a combinação de depressão com diabetes é mais letal do que a presença de apenas uma dessas doenças.

Os 10.704 participantes do estudo tinham uma média de 75,6 anos e todos eram diabéticos. Eles responderam questionários no inicio das pesquisas e foram acompanhados pelos dois anos seguintes. Os cientistas tomaram nota das mortes e das causas de óbito dos pacientes e perceberam que os que tinham depressão e diabetes ao mesmo tempo apresentaram 36% mais de risco de morrer por qualquer causa durante anos de acompanhamento.

Um total de 12,1% dos participantes com as duas doenças morreu durante o período. Entre os pacientes sem depressão, 10,4% morreram

 

proteína produzida pelo fígado pode aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2

Filed under: fetuína-A — lahad @ 5:57 am

fetuina1Uma proteína produzida pelo fígado pode aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. A fetuína-A participa do processo de aquisição de resistência à insulina por conta de um mecanismo de ação que prevê o seu acoplamento a receptores de insulina dos tecidos adiposo e muscular.

Joachim Ix e colegas da Universidade de São Diego, nos Estados Unidos, realizaram um estudo que evidenciou que a proteína fetuína-A aumenta em 1,7 vezes o risco de desenvolvimento da diabetes tipo 2, independente de fatores de risco para a doença. O ensaio teve duração de seis anos e dele participaram 519 pacientes não diabéticos, todos com idades entre 70 e 79 anos. Os indivíduos que tinham maiores níveis cediços da fetuína-A apresentaram maior risco para a diabetes.

“A associação demonstrada no estudo se mostrou independente de fatores de risco individuais. Além disso, os resultados foram semelhantes independentemente da raça, sexo e presença de obesidade”, comenta Ix. Apesar destes resultados, o pesquisador afirma que ainda são necessários estudos semelhantes para os pacientes de meia-idade, nos quais a incidência da diabetes tipo 2 é maior.

Fonte: Journal of the American Medical Association.

 

Hipertensão

Filed under: Hipertensão e distúrbios metabólicos — lahad @ 12:00 am

cardiogramaPesquisadores da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, descreveram em estudo publicado no jornal Hypertension os mecanismos moleculares que explicam a relação entre hipertensão e alterações do metabolismo, como a diabetes tipo 2. Os autores afirmam que essa é a primeira vez que uma equipe consegue explicar como a hipertensão arterial se desenvolve e como tratamentos podem reverter essa condição.

Os especialistas em bioengenharia analisaram ratos predispostos a desenvolver hipertensão arterial, os chamados SHR (spontaneously hypertensive rat). Procurando uma causa comum para as diversas alterações metabólicas, os pesquisadores encontraram nesses animais uma atividade anormal de enzimas proteolítcas capaz de provocar a lise de receptores de membrana, incluindo os receptores da insulina. Esse mecanismo impede a ligação da molécula de insulina com a célula, aumentando os níveis de glicose e, conseqüentemente, desenvolvendo resistência insulínica.

Além dos receptores de insulina, outros são clivados. Os receptores presentes nos linfócitos CD18 também são alvos dessas proteases. Isso resulta na incapacidade dessas células do sistema imunológico se ligar aos vasos sanguíneos e não permite que elas alcancem o local da infecção, comprometendo o funcionamento do sistema de defesa.

Utilizado como antibiótico em humanos, a doxaciclilna foi administrada aos SHR devido a sua propriedade de inibir algumas enzimas proteolíticas nas cobaias. Após diversas semanas de ingestão de doxacilclina, os ratos desenvolveram linfócitos CD18 normais, bem como receptores de insulina. As condições metabólicas melhoraram, a pressão arterial se normalizou e os sintomas de imunossupressão desapareceram.

De acordo com os autores, esse estudo indica pela primeira vez que a hipertensão e as disfunções celulares estão intimamente associadas ao desenvolvimento da síndrome metabólica e isso se deve, pelo menos em parte, a um processo enzimático alterado.

Fonte: Hipertension.

 

Duas classes de terapias incretinomiméticas, os análogos do GLP-1 e os inibidores da enzima DPP-IV, ampliam as opções de tratamento do diabetes mellitus, uma doença com projeção de crescimento explosivo nas próximas décadas (Por Valquiria Dinis e Cecília Proença)

Filed under: terapias incretinomiméticas — lahad @ 12:00 am

bh0848_nori301Uma epidemia mundial de diabetes mellitus (DM) está em curso. Em 1985, a estimativa era de que existissem 30 milhões de diabéticos no mundo todo. Em 2030, o número de portadores do distúrbio deve ser dez vezes maior − 300 milhões. A projeção desse crescimento explosivo consta das Diretrizes Brasileiras publicadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes, em 2007. O aumento da expectativa de vida, a urbanização crescente e o estilo de vida predominante nas cidades, caracterizado por má alimentação e vida sedentária, explicariam essa projeção epidêmica. A taxa de mortalidade envolvendo o DM é outro dado sinistro. Atualmente, 800 mil diabéticos morrem por ano no mundo. E o total seria subestimado, segundo os especialistas, já que as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, associadas ao DM, acabam, muitas vezes, responsabilizadas por parte dos óbitos. O termo diabetes envolve um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos, que tem etiologias diversas, mas apresenta em comum a hiperglicemia crônica, acompanhada de alterações no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas. A doença é resultado da secreção inadequada de insulina pelas células betapancreáticas ou deriva de defeitos na ação da insulina ou ainda tem a ver com a associação destes dois efeitos. O diabetes tipo 2 é de longe o tipo de maior prevalência. Está presente em 90% a 95% dos portadores dos distúrbios metabólicos e sua incidência aumenta com a idade. O risco de um indivíduo vir a desenvolver o DM2 aos 70 anos é de 11%. Suas manifestações clínicas são variáveis. Muitos pacientes exibem sintomas de hiperglicemia, mas como o desenvolvimento de hiperglicemia é gradual, o indivíduo pode permanecer vários anos sem diagnóstico. Por vezes, ele pode ser assintomático e o diagnóstico se dar mediante exames laboratoriais ou na vigência de um quadro agudo como o infarto do miocárdio.

A nova opção do GLP-1

Existem inúmeras opções para o tratamento medicamentoso do diabetes, sem considerar a indispensável observação de dieta e mudanças no estilo de vida (ver quadro Dieta, Atividade Física e Antidiabéticos, à página 14). Mas há casos em que, apesar da variedade disponível de terapias, o controle glicêmico não é atingido. Além desse fato, a hiperglicemia e o ganho de peso, quando associados à medicação antidiabética, podem comprometer a viabilidade das terapias a longo prazo. É nesse contexto que o tratamento para o DM2 baseado no polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose, o GLP-1, tem representado uma nova opção.

untitled-9_juw37vEstudos feitos com portadores de DM2 verificaram ao longo do tempo que esses pacientes exibiam taxas de GLP-1 diminuídas. O polipeptídeo é produzido pelo gene proglucagon das células L do intestino, secretado em resposta aos nutrientes ingeridos na dieta. Seu papel na homeostase da glicose, que é dado pelo efeito incretina, inclui ações como o estímulo  da  secreção de  insulina  dependente  de  glicose  nas  ilhotas  pancreáticas, a lentificação do esvaziamento gástrico, a inibição da secreção inapropriada do glucagon pós-prandial e, em decorrência, a redução do apetite e perda de peso. Detalhamos a seguir as duas classes de terapias incretinomiméticas disponíveis, que incluem os análogos do GLP-1 e os inibidores da enzima DPP-IV (dipeptidil peptidase IV). A DPP-IV atua no nosso organismo na metabolização de alguns peptídeos, entre eles, o GLP-1.

Os análogos do GLP-1

A incretina sintética análoga do GLP-1 humano exenatide, derivada da saliva do lagarto Gila monster (Heloderma suspectum), já teve seu uso aprovado em humanos pelo Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos. As características desse fármaco são a meia-vida de 2,4 horas e a resistência à degradação pelo DPP-IV. Seu mecanismo de ação se dá pela ligação aos receptores de GLP-1 das ilhotas pancreáticas, que é dose e glicose dependente. Produz os mesmos efeitos do GLP-1 humano, como redução da velocidade de esvaziamento gástrico, supressão do glucagon pós-prandial e perda de peso. Uma metanálise publicada em 2007, por Amori e colegas, demonstrou que a substância reduz a hemoglobina glicada em comparação com placebo; ademais, os pacientes que usaram o exenatide também
apresentaram maior chance de atingir as metas glicêmicas.

Seus efeitos adversos incluem náuseas de pequena ou média intensidade. A hipoglicemia leve ou moderada é observada quando a medicação é administrada em conjunto com as sulfoniluréias. Está disponível nas doses de 5 mcg e 10 mcg, administradas por via subcutânea, em duas tomadas diárias. O exenatide LAR é uma versão de longa duração do exenatide e tem uma meia-vida média de duas semanas,  mas  no  momento  ainda  está  em  estudos.  Em  um  pequeno  ensaio  clínico,  essa  medicação pareceu diminuir a hemoglobina glicada e o peso dos pacientes. A náusea é o efeito adverso mais freqüente. A liraglutide, outro análogo do GLP-1 humano, possui degradação mais lenta, o que permite seu uso, por via subcutânea, uma vez ao dia. Em pequenos estudos, esse fármaco pareceu reduzir os valores de hemoglobina glicada, bem como o peso dos pacientes. O efeito adverso mais comum foi náusea, mas vômitos e diarréias também podem ocorrer. Seu uso ainda não está aprovado para a prática clínica.

Os inibidores da enzima DPP-IV

A metabolização de alguns peptídeos, entre eles o GLP-1, caracteriza a ação do DPP-IV no organismo humano. A inibição da enzima poderia, assim, prolongar a ação do próprio GLP-1 humano. Os estudos sobre essa classe de medicamentos ainda estão em curso. A vantagem que eles apresentam é a via de administração, que é oral. O inibidor do DPP-IV sitagliptina já teve seu uso aprovado como segundo agente de escolha para o tratamento do DM2, em indivíduos que não responderam ao primeiro agente, como metformina, sulfoniluréia ou tiazolinediona; ou então, como terceiro agente de escolha, quando a terapia combinada de dois agentes não alcançou a meta glicêmica.

A dose de sitagliptina é de 100 mcg por dia, no entanto esta deve ser corrigida em pacientes com insuficiência renal. Em alguns estudos, esse fármaco pareceu reduzir a hemoglobina glicada, comparada com o placebo. Além disso, mostrou-se efetiva utilizada em associação com a metformina, a sulfoniluréia ou a tiazolinediona. Seu uso está contra- indicado em pacientes com história de hipersensibilidade. A vildagliptina é o fármaco inibidor do DPP-IV aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil. Nos ensaios realizados com a medicação, ela se mostrou eficiente tanto em monoterapia, quanto em terapia combinada com metformina, tiazolinediona e insulina. Seu efeito na queda da hemoglobina glicada foi semelhante ao da sitagliptina

Os inibidores do DPP-IV não parecem influenciar o peso corporal nem produzir hipoglicemia, como efeito adverso. Mas apesar de ser uma classe seletiva para o GLP-1, suas conseqüências a longo prazo ainda são desconhecidas, sendo possível apresentar  riscos  aumentados  quando  a  inibição  da  DPP  IV  for  menos  seletiva.  Embora admita que os incretinomiméticos já são receitados de forma corriqueira em consultórios, o Dr. Osmar Monte, professor de Endocrinologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, adverte que é preciso saber prescrever a medicação.

Se a pessoa tiver uma população pequena de células-beta, por exemplo, não adianta prescrever esse tipo de medicamento, porque ele não teria onde agir. O professor lembra que os incretinomiméticos apresentam efeito terapêutico adequado para um grupo específico de pacientes.

O que estabelecem os consensos

O consenso de 2006 da Associação Americana de Diabetes (ADA) e da Associação Européia para o Estudo de Diabetes propõe, em relação à aplicabilidade clínica dos fármacos disponíveis para o tratamento do DM2, que a terapia com metformina se inicie simultaneamente à intervenção no estilo de vida do paciente. A indicação desse fármaco está associada a sua eficácia, sua ação na redução de peso, tolerância e baixo custo. A insulina também pode ser considerada terapia de primeira linha  para  aqueles  pacientes  que  apresentam  hemoglobina  glicada  superior  a  10%,  glicemia de jejum superior a 270 mg/dL e glicemia casual superior a 300 mg/dL ou cetonúria. Para pacientes com contra-indicações para a metformina, é sugerido o uso de sulfoniluréias de curta duração como, por exemplo, a glipizida.



 

Vacina para controlar hipertensão poderia ser melhor que medicamentos

Filed under: Vacina para controlar hipertensão — lahad @ 12:00 am

vacinaA imunização contra a angiotensina II, um hormônio vaso constritor que causa hipertensão, pode ser mais eficiente para combater pressão alta do que medicamentos e ainda aumentar a aderência ao tratamento.

O tratamento para hipertensão com medicamentos é usado com sucesso, mas a aderência à terapia é um problema significativo. Estima-se que nos Estados Unidos apenas um terço dos pacientes com a doença tenham sua pressão sob controle. Os efeitos colaterais e o fato desses tratamentos serem necessários para toda a vida fazem com que muitos pacientes desistam de tomar os remédios regularmente.

Uma vacina que induzisse os anticorpos a atacar a angiotensina poderia simplificar o tratamento, que assim ganharia mais adeptos. Pesquisadores do Cytos Biotechnology, na Suíça, tentam alcançar esse objetivo com a imunização contra a angiotensina II.

O estudo, liderado por Martin Bachmann, já passou pela fase IIa. Os 72 participantes, todos com hipertensão, foram separados aleatoriamente. Um terço deles recebeu 100μg da vacina por via subcutânea, outro terço recebeu 300μg da vacina e o restante, placebo.

No grupo que recebeu 300μg da imunização, houve uma redução da pressão sanguínea na 14ª semana de tratamento de -9.0/-4.0 mm Hg comparada com o grupo que tomou placebo. No mesmo grupo, a redução foi de -25/-13 mm Hg comparada com o grupo de placebo quando a pressão foi medida pela manhã.

A pesquisa ainda precisa cumprir algumas etapas até que se saiba se a vacina pode ser usada em pacientes hipertensos ou se tem alguma contra-indicação. Espera-se que a nova terapia possa ser utilizada em larga escala, já que poderia aumentar a aderência ao tratamento de um número significante de pacientes. Além de ser administrada de maneira mais fácil e rápida do que os medicamentos que tem que ser tomados diariamente, a vacina ainda contaria com o controle do médico: como a imunização seria aplicada algumas vezes por ano, a administração poderia ser feita no consultório, durante as visitas de rotina.

Fonte: Lancet.

 

Anti-hipertensivos

Filed under: Anti-hipertensivos — lahad @ 12:00 am

medicamentosAlguns medicamentos usados para controlar a pressão sanguínea podem proteger os pacientes mais velhos do declínio de funções cognitivas como a memória. Uma pesquisa da Escola de Medicina da Universidade Wake Forest, apresentada no encontro anual da Sociedade Americana de Geriatria, descobriu que os anti-hipertensivos da classe dos inibidores de ECA, especialmente os que penetram nos finos vasos sanguíneos do cérebro, ajudam a reduzir inflamações no cérebro que podem contribuir para o mal de Alzheimer.

Os pesquisadores analisaram dados do Cardiovascular Health Study, um estudo sobre fatores de risco para problemas cardiovasculares que envolveu 5.888 pessoas acima de 65 anos. Eles trabalharam com os históricos de 1.074 participantes sem nenhum grau de debilidade das funções cognitivas quando entraram no estudo e que estavam sob tratamento para pressão alta. Aplicando nessas pessoas o Modified Mini-Mental State Exam, um teste que avalia memória, linguagem, raciocínio abstrato e outras funções cognitivas, os pesquisadores perceberam a relação entre o uso dos inibidores de ECA o declínio das faculdades mentais.

Para cada ano que os participantes faziam uso de inibidores de ECA que cruzam a barreira sangüínea do cérebro (chamados de drogas centralmente ativas), o declínio das funções cognitivas medido no teste era 50% mais baixo do que o dos participantes que tomavam outros tipos de anti-hipertensivos.

Kaycee Sink, líder da pesquisa, diz que “estes resultados sugerem que há mais no tratamento de hipertensão do atingir a meta da pressão 14/8, que escolher qual droga usar traz também outras implicações. Nós já sabíamos que os inibidores de ECA protegiam de ataques cardíacos e de falência dos rins e agora há evidências de que eles protegem também do declínio de funções cognitivas”.

Fonte: American Geriatrics Society Annual Meeting.